quarta-feira, maio 11, 2005

O problema do Índice de Massa Corporal (IMC)...

Corriqueiramente, quer na tv, quer em jornais e revistas generalistas, somos confrontados com o problema da obesidade e do excesso de peso e as suas consequências a longo prazo. Rapidamente nos deparamos, com a extrema facilidade que é, identificarmos se estamos acima ou abaixo do peso ideal. Basta realizarmos uma simples operação matemática, que envolva peso e altura. Infelizmente as coisas não são tão fáceis como parecem e não devemos utilizar apenas essas variáveis, para identificarmos se estamos ou não dentro da zona saudável ou do peso ideal. Até metade do século passado, a única forma usada para avaliar se a pessoa era obesa ou não baseava-se na comparação entre o peso e a altura, através de tabelas pré-definidas. Elas estimam de uma forma grosseira o peso corporal ideal, não levam em conta a composição corporal, as causas de morte, nem a qualidade da saúde antes da morte (McArdle, Katch, Kacht, 2002). Foi o Dr. Behnke, nos anos 40 que colocou em questão a validade dessas tabelas. Ele verificou que, de acordo com elas, 11 dos seus 17 jogadores de futebol americano eram considerados obesos. Na verdade, esse excesso de peso era oriundo, principalmente, do grande desenvolvimento muscular e não de um excesso de gordura (como sabido a massa muscular é mais pesada que a massa gorda). Hoje em dia, felizmente existem vários métodos com a mesma finalidade, como o IMC, ICQ, pesagem hidrostática, pregas cutâneas, bioimpedância, etc., alguns deles muito fiáveis. O IMC que é determinado pela seguinte expressão [Peso corporal(Kg)/Estatura x Estatura (m)], exibe uma associação bem mais alta que as tabelas de altura/peso, para determinar a gordura corporal. Ele possui uma relação curvilínea com a mortalidade, devido a todas as causas, aumentando à medida que aumenta o risco para as doenças cardiovasculares (McArdle, Katch, Kacht, 2002).
Apesar disso sabemos que este índice ( IMC) apresenta bastantes limitações. Tal como as tabelas de altura/peso, não leva em consideração a composição proporcional do organismo, tal como a massa muscular, o peso ósseo e até mesmo o volume plasmático (aumenta com o treino). Por estas razões não é aconselhável aplicar este índice a atletas, indivíduos com perfil mesomorfo, fisioculturistas, mulheres grávidas ou em fase de aleitamento, crianças e idosos. Actualmente, o IMC é bastante utilizados basicamente em programas de saúde pública, que envolvem um grande número de sujeitos, pois é um método que se torna útil essencialmente pela sua practicidade e nunca pode ser aplicado como uma forma de estimar a gordura corporal em sujeitos individualizados.

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