Constantemente tenho sido alvo de questionamentos sobre a perda de gordura abdominal e qual a interferência dos exercícios abdominais nessa mesma gordura.
É importante esclarecer, de uma vez por todas, que os exercícios abdominais não "tiram barriga", ou seja, sozinhos não vão conseguir remover a gordura localizada na barriga e cintura. Eles ajudam-nos a fortalecer e hipertrofiar os músculos do abdómen. Para conseguirmos retirar a camada de gordura que cobre o abdómen, é necessário adicionarmos aos exercícios abdominais, uma actividade aeróbia (a qual utilize como prioridade de fonte energética, a gordura) e uma alimentação hipocalórica (baixa em calorias).
Como referido em temas anteriores, a gordura corporal diminui quando o gasto calórico é superior a sua ingestão. As reservas de gordura apenas são mobilizadas em número significativo através de actividades aeróbias de longa duração, como o ciclismo, a corrida, a natação, etc.
E 1000 abdominais não são uma actividade de longa duração? Se realizarmos 1000 abdominais podemos classificá-los como uma actividade de longa duração, mas muito menos eficiente que as anteriores. A corrida, o ciclismo, a natação são actividades físicas que envolvem grandes agrupamentos musculares, produzindo um elevado gasto energético ao contrário do exercício abdominal.
É igualmente importante referir que o organismo utiliza as reservas de gordura como um todo. Isto quer dizer que a gordura "recrutada" durante o exercício pode ser aquela que está situada nas costas, no braço, no pescoço, na perna e não obrigatoriamente aquela que está em cima do músculo que está a ser trabalhado.
Mas atenção!!! Não quero dizer que não devamos trabalhar o músculo abdominal. Pelo contrário, considero-o um músculo extremamente importante do nosso corpo e fundamental para a protecção da coluna vertebral. Ele tem uma acção importante na sustentação da região lombar, evitando lesões principalmente ao nível da quinta vértebra lombar em articulação com a região sacrococcígena. Proporciona boa postura e ainda ajuda no processo digestivo, respiratório, parto etc. Forma no seu conjunto uma cinta elástica, protegendo e fixando os diferentes órgãos da parede abdominal.
Quando nos propomos a fazer uma restrição calórica (dieta) significativa, o músculo abdominal nunca pode ser esquecido, falo isto por experiência própria. Há cerca de 2 anos atrás quando coordenava uma Academia de Musculação no Brasil, recebi uma cliente que tinha sido sujeita a uma rígida restrição alimentar para perda de peso. Resultado, perdeu peso; mas perdeu músculo e músculo da parede abdominal, o que resultou, à posteriori, num deslocamento no sentido descendente (alguns cm) do seu local original de um órgão dessa mesma parede, o rim. Este, por sua vez, exercia uma forte pressão sobre a bexiga, resultando numa dor muito intensa, principalmente na posição bípede. Podemos dizer que este acontecimento foi o reflexo de uma dieta rigorosa sem o fortalecimento muscular adequado.
segunda-feira, junho 13, 2005
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